É com grande alegria que anunciamos a publicação da edição semestral da Azusa – Revista de Estudos Pentecostais, correspondente ao primeiro semestre de 2025 (jul./dez. 2025). Nesta edição, trazemos um dossiê com a temática: “Pentecostalismos e Sustentabilidade: desafios pastorais, tecnológicos e teológicos”. O objetivo deste dossiê é reunir estudos que investigam as experiências religiosas de matriz pentecostal no Brasil e na América Latina, com foco especial na sustentabilidade. Queremos compilar diferentes perspectivas sobre os impactos dessas questões, ressaltando os desafios que os líderes pentecostais enfrentam ao integrar a sustentabilidade em suas práticas e ensinamentos nas igrejas locais. É fundamental que muitos pastores ensinem suas congregações sobre a relevância da sustentabilidade. Isso envolve a implementação de ensinamentos e projetos que abordem questões ambientais e sociais de forma acessível e pertinente à comunidade.
Contamos com a participação da professora doutora Ângela Maringoli como organizadora do dossiê. Com suas amplas pesquisas, experiências e conhecimentos na área de estudos da Teoambientologia, traz uma perspectiva enriquecedora para a discussão da proposta nesta edição.
O dossiê intitulado “Pentecostalismos e Sustentabilidade: desafios pastorais, tecnológicos e teológicos” reflete a preocupação dos organizadores em explorar as interações entre as tradições religiosas pentecostais e as iniciativas de sustentabilidade. A contribuição dos acadêmicos que submeteram seus artigos não apenas enriquece o conteúdo, mas promete impulsionar de maneira significativa as discussões sobre sustentabilidade. Essa diversidade de perspectivas é crucial para ampliar o debate e enfrentar os desafios pastorais, tecnológicos e teológicos que permeiam essa temática. Essas contribuições são críticas e inovadoras, garantindo que a pesquisa não apenas dialogue, mas também promova mudanças efetivas.
No primeiro artigo do dossiê, intitulado “ O desenvolvimento econômico interligado a dimensão social do princípio da sustentabilidade“, da autora Ângela Maringoli analisa a tensão entre a visão escatológica pentecostal das Igrejas Assembleias de Deus e a sustentabilidade, destacando como a Teoambientologia pode oferecer uma abordagem ética e espiritual que integra fé, cuidado com a criação e justiça social. Além disso, propõe uma teologia cristã ecológica que amplia a compreensão da justiça divina para incluir toda a criação.
O segundo artigo, intitulado “ A centralidade da cruz de Jesus Cristo para a justiça socioambiental”, escrito por Werner Fuchs, destaca que a morte de Jesus na cruz é raramente considerada essencial para a defesa ambiental. Muitos cristãos fundamentam sua motivação para preservar o planeta nas narrativas do livro de Gênesis. Isso apresenta dois desafios: desconstruir conceitos enraizados e convidar as pessoas a ver a criação do mundo como um ato relacionado à redenção.
Quézia Elisama Ribas, é a autora e Ailto Martins coautor do terceiro artigo do dossiê intitulado, “Vestir a fé, despir a terra: reflexões sobre mordomia ambiental cristã no contexto da moda evangélica“, investiga a falta de cuidado ambiental na fé pentecostal clássica, especialmente na indústria da moda. A pesquisa revela que visões escatológicas e antropologias dualistas contribuem para a desconexão entre espiritualidade e responsabilidade ecológica, resultando em práticas que ignoram a sustentabilidade. O objetivo é fomentar discussões sobre a mordomia ambiental cristã no contexto da moda modesta.
Para concluir o dossiê, é apresentada uma entrevista com o pastor luterano aposentado, professor, pesquisador, escritor e tradutor Werner Fuchs. A entrevista foi conduzida pela Dra. Ângela Maringoli. Assim, na entrevista, o teólogo e pastor Werner Fuchs critica as políticas climáticas atuais, considerando-as insuficientes. Ele destaca quatro motivos para isso e sugere abordagens mais audaciosas para enfrentar a crise climática desde o Acordo de Paris, assinado em 2015.
Ainda, a edição da Revista Azusa deste semestre apresenta mais seis artigos, que não faz parte da temática do dossiê, contudo apresenta uma contribuição importante para a Teologia Pentecostal.
O quinto artigo Os autores Rimilla Queiroz Araújo, Bezaliel Alves Oliveira Junior, e Jonas Roberto Santin com o tema “Pentecostalismo em movimento: A consolidação das Assembleias de Deus no Brasil e sua expressão no Alto Turi, Maranhão”, analisa a história das Assembleias de Deus no Brasil, dividindo o movimento em quatro fases: pioneira, consolidação institucional, expansão e diversificação. Foca também na história da denominação em Zé Doca, Maranhão, com base na pesquisa de Rímilla Queiroz de Araújo, que destaca a liderança local e o uso de fichas da CPAD para controle e identidade. A conclusão aponta que a experiência de Zé Doca reflete tanto as diretrizes nacionais quanto as adaptações regionais do pentecostalismo.
No sexto artigo denominado ” A Igreja Evangélica Avivamento da Fé (IEAFE) e o hibridismo pentecostal: entre as “ondas” e a novas pentecostalidades brasileiras”, de autoria Josias Silva, o autor destaca a Igreja Evangélica Avivamento da Fé (IEAFE), onde exemplifica o hibridismo pentecostal no Brasil, combinando características de diversas tradições religiosas. A pesquisa analisa sua estrutura e práticas, buscando entender como se encaixa nas classificações do pentecostalismo contemporâneo.
Otoniel Barbosa de Faria, é o escritor do sétimo artigo intitulado “Hermenêutica pentecostal em diálogo com a linguística sistêmico-funcional”. O autor destaca que a hermenêutica pentecostal no Brasil é um campo emergente que busca integrar a experiência espiritual com rigor acadêmico, superando críticas ao anti-intelectualismo. Fundamentada na Bíblia e na ação do Espírito Santo, essa abordagem dialoga com ferramentas críticas, como a Linguística Sistêmico-Funcional (LSF). A LSF analisa como escolhas linguísticas influenciam a relação entre autor e leitor, destacando aspectos como proximidade e tom. Assim, a LSF legitima uma hermenêutica pentecostal que equilibra exegese e experiência.
O oitavo artigo, de autoria de Ricardo Bitun denominado “Arena simbólica: uma reflexão sobre religião e violência a partir do caso da Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias”, analisa a relação entre símbolos religiosos e violência na Igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias, liderada por Marcos Pereira. A pesquisa revela que, embora a gramática religiosa e a violência pareçam opostas, elas interagem em um contexto simbólico dinâmico, refletindo a trajetória ambígua do pastor.
No nono artigo, do autor Gotthard Oblau, intitulado “A ordem cisterciense – um modelo cristão de modernização na Idade Média”, destaca a ordem cisterciense, entre 1100 e 1300 d.C., promoveu uma modernização sustentável através de uma ética de trabalho e inovações agrícolas, focando nas necessidades básicas e na inclusão dos marginalizados. Essa abordagem equilibrava autonomia local com troca de conhecimento, resultando em um impacto significativo na sociedade.
Finalizando, o décimo artigo “Doença e morte no imaginário da humanidade”, dos autores Marcelo Serafim de Souza e Flávio Schmitt, discute a inevitabilidade da morte e a relação com as doenças, que muitas vezes precedem o fim da vida. Historicamente, a morte era vista como um castigo divino. A ideia de um estado intermediário após a morte é abordada, com referências ao “Sheol” na tradição judaica e ao “Hades” na grega. Para os sábios, a morte é um alívio, enquanto outros temem sua aproximação.
Prof. Dr. Ailto Martins
Editor da Revista Azusa
Prof. Me. Orlando Afonso Camutue Gunlanda
Coordenador da Equipe de Pesquisa
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